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Governador do Rio é afastado do cargo e reclama de perseguição durante pronunciamento

Wilson Witzel foi alvo de ordem judicial no âmbito da Operação Placebo; durante pronunciamento o governador fez ataques à Procuradoria-Geral da República e pediu investigação de um suposto "uso político" da instituição.

Foto: Antônio Cruz

O superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou hoje (28) o afastamento imediato do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), de seu cargo, por irregularidades em contratos na saúde. O vice, Cláudio Castro, assume a função. A ordem judicial ocorre no âmbito das investigações da Operação Placebo, realizada em maio, que investiga fraudes na área da Saúde, e da delação premiada do ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos, preso na mesma ação, por suspeita de irregularidades na contratação da organização social Iabas, de forma emergencial durante a pandemia, por R$ 835 milhões para construir e administrar sete hospitais de campanha.

O governador declarou, em um pronunciamento no Palácio Laranjeiras nesta manhã, que está “indignado” com o afastamento do cargo. Witzel se disse perseguido pelo governo federal e fez ataques ao ex-secretário Edmar Santos, que foi preso pelas denúncias de corrupção na Saúde e delatou o governador. “Mais uma vez quero manifestar a minha indignação e uma busca e apreensão e, mais uma vez, é uma busca e decepção. Não encontrou um real, uma joia, simplesmente mais um circo sendo realizado”, disse Witzel. “Você não pode afastar um governador com a suposição de que ele vai fazer algo.”

O governador do Rio ainda fez ataques à Procuradoria-Geral da República (PGR) e pediu investigação de um suposto “uso político” da instituição. “O Superior Tribunal de Justiça possui vários subprocuradores. Por que não se faz, como em qualquer outro Ministério Público, a distribuição e não o direcionamento para um determinado procurador: no caso a Dra. Lindôra [Maria Araújo, que chefia a Lava Jato na PGR). E a imprensa já noticiou o seu relacionamento próximo com a família Bolsonaro”, disse Witzel.

“Eu quero desafiar ao Ministério Público Federal na pessoa da Dra. Lindôra, que a questão agora é pessoal, né? É pessoal. Ela me adjetivou como chefe da organização criminosa. Eu quero que ela apresente um único e-mail, um único telefonema, uma prova testemunhal, um pedaço de papel em que eu tenha pedido qualquer tipo de vantagem ilícita para mim”, afirmou.